Algumas dicas sobre a História do Origami na Educação
Tradicionalmente, os origamis são confeccionados com papel bicolor (branco e outra cor), de forma quadrada, de tamanho variado, sem cortes ou recortes. Hoje em dia …
encontra-se à venda papel de diversas cores, tamanhos, texturas e formas. Para trabalhos, muito específicos, podemos utilizar círculos ou formas especiais produzidas através de dobragem: pentágono, hexágono, octógono ou simples tiras de papel.
Por volta de 1860, quando uma tournée de um grupo de teatro Japonês visita a França, os franceses descobrem o origami. Todavia o desenvolvimento desta arte na Europa é independente deste facto uma vez que as dobragens de guardanapos, normalmente de forma quadrada ou rectangular, remontam à época de Henrique IV (1553 - - 1610) e Louis XIV (1643 a 1715).
Entre as personagens célebres que se dedicaram à técnica de dobragens podemos citar Leonardo da Vinci (1452-1519) que a utilizou esta arte para estudar a geometria e o aerodinamismo e Lewis Carroll (1832-1898), autor de “Alice no país das maravilhas” que divertia as crianças com dobragens que manipulava com magia.
Na Europa do séc. XII já era conhecida como nó pentagonal, especialmente entre os estudiosos da geometria, a cinta de nós de papel dos Japoneses.
A semelhança entre as figuras tradicionais europeias e japonesas leva alguns autores a pensar que houve uma comunicação directa transmitida por missionários e comerciantes, tanto num sentido como no outro, quando da chegada dos primeiros europeus ao Japão em 1543. Com efeito ambas as tradições contam com figuras iguais, onde predominam as realizadas com ângulos múltiplos de 45º. Segundo consta a base da pajarita, a mais usada nesta época, chegou à península através dos Árabes. Todos estes Origamis embora de grande esquematização são fáceis de realizar, pelas crianças.
Durante o período Edo (1603-1867) surgem as bases do pássaro e da rã. A sua importância é tal que 80% das figuras que conhecemos são obtidas a partir delas. Estas bases revolucionaram a técnica de dobragens porque a partir de um papel quadrado jogam com ângulos de 22,5º e têm uma grande mobilidade de movimento nas suas quatro pontas.
Devemos destacar, na Europa, do século XVIII os esforços de um grande pedagogo Alemão Friedrich Fröbel (1783-1852) que valendo-se da tradição europeia de dobragem de papel a incorporou no seu sistema educativo o que constituiu uma novidade no seu tempo. Fröbel influenciou todos os países da Europa.com a introdução das dobragens e com a prática dos trabalhos manuais, na escola.
Em Espanha, em 1857, tornou-se obrigatório, por Decreto-Lei, o exercício manual na escola primária (1º ciclo), todavia já se encontram no século anterior testemunhos da prática de dobragens de papel na escola.
Na Suíça o psicopedagogo infantil Piaget (1896-1980) dizia que “A actividade motora sob a forma de habilidosos movimentos é vital para o desenvolvimento do pensamento e da representação mental do espaço”.
Em Buenos Aires, no ano de 1938 foi publicado, por Dr.Vicente Solorzano Sagredo (1883-1970), um livro intitulado “Papirolas” - tratado de papiroflexia, onde são referidas diversas noções de geometria e algumas figuras geométricas.
Muito se tem falado nas fases de desenvolvimento da criança e pensa-se que à medida que avança nas sucessivas etapas as dificuldades com a execução das dobragens diminuem e ela vai ficando fascinada com a magia de um pedaço de papel que dobrando e redobrando se transforma em mil figuras do seu quotidiano.
Tendo em conta essas diferentes etapas o professor pode, utilizando esta arte milenar na sala de aula, criar mais interesse nos alunos. Esta metodologia poderá fazer toda a diferença, enriquecendo a aula e tornando a aprendizagem mais interessante e mais divertida.
Poderemos então inferir uma orientação sobre como encaixar as dobragens de papel (origami) na educação, desde tenra idade até ao final do ensino básico.
Através da utilização de dobragens o professor pode:
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-contar histórias - o fim da dobragem deverá coincidir com o fim da história;
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-ensinar música - promovendo a atenção para a forma dobrada;
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-introduzir conceitos geométricos - uma simples dobra pode significar novo conceito;
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-melhorar a oralidade e a escrita - ilustrando palavras aprendidas de livros e de painéis, conjugando desenho, pintura e colagem.
Na fase de alfabetização, por exemplo, a dobragem pode ser estimuladora do esquema corporal, da motricidade fina, da coordenação viso-motora, da discriminação visual e auditiva e ainda da percepção táctil.
Ao investigar as propriedades geométricas simplificamos a aprendizagem por dedução informal e podemos constatar que a aprendizagem da Matemática em geral, em particular da Geometria, utilizando dobragens constitui em si mesma uma experiência de Matemática activa. Ao formalizar constituímos um suporte experimental imprescindível para futuras etapas a atingir.
É fácil perceber que podemos obter um quadrado a partir de um rectângulo, ou um rectângulo a partir de outro rectângulo, para isso, bastará efectuar duas ou três dobragens. Também a partir de um quadrado se obtém, facilmente, um pentágono, um hexágono e utilizando o recorte os, respectivos, polígonos estrelados. De igual modo, mas apresentando maior dificuldade de elaboração, se pode obter a circunferência/circulo, a elipse e a espiral.
Transformar uma folha de papel numa dobragem tridimensional através da junção de unidades iguais e/ou diferentes criando diversas formas de sólidos, suas variantes e respectivos duais é um exercício único. Podem também produzir-se, através da junção de várias unidades iguais, diversos polígonos estrelados.
Ainda partindo de um quadrado e produzindo nele diversas dobragens e/ou cortes é possível obter inúmeras peças modelares planas (mosaicos) e produzir padrões que podem ser usados para compor frisos e rosáceas através de repetição, simetria ou rotação.
Para que tudo funcione na perfeição é necessário um estudo bem elaborado para saber, exactamente, qual a medida dos quadrados a utilizar.
Também através da técnica de dobragens podemos estudar as simetrias, os números decimais e as fracções, bem como comparar tamanhos, comprimentos, áreas e capacidades.
Muito se tem falado das potencialidades do Origami mas será que podemos inferir o seguinte:
“O trabalho com Origami contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança e consequentemente a ajuda a desenvolver a aprendizagem de qualquer conteúdo curricular”.